segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018


Neste episódio do programa "Voz" escutamos o poema de David Mourão-Ferreira dito pela atriz Beatriz Batarda. Um encontro com a poesia para ver, ouvir e ler aqui. 

“E por vezes”
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos  E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites   não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
David Mourão-Ferreira

http://ensina.rtp.pt/artigo/e-por-vezes-de-david-mourao-ferreira/





O Correntes d'Escritas, o festival literário da Póvoa de Varzim, surgiu em 2000. É dedicado à literatura de expressão portuguesa e espanhola.

http://observador.pt/2018/01/31/o-correntes-descritas-e-um-palco-para-a-lingua-portuguesa/
Para não duvidar, melhor consultar. :)

https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/imperfeito-e-condicional-de-cortesia/25731
Interessante sem dúvida...

Helena Maria Gonçalves e Virgínia do Carmo convidam para a inauguração do Epycentro - Centro de Arte e Educação, e do Espaço Poética, a decorrer no dia 3 de março de 2018, a partir das 15h00, na Praça Araújo Carandá, 38, em Braga. 
A sessão constará de um happening poético com a participação de Helena Maria Gonçalves e Tania Vilas Boas, e de um momento musical com o poeta e compositor Pedro Branco. 


https://www.facebook.com/events/213482899213475/

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Novo ano chinês festejado na Escola Secundária Carlos Amarante!

                                                           Fruindo a frescura

Árvores majestosas, mais de dez mil troncos,
águas límpldas correndo entre a névoa.
Diante de mim, o estuário do grande rio,
espaços imensos pincelados pelo vento.
Cadenciadamente, as ondas humedecendo a areia branca,
carpas douradas como nadando no ar.
Sentado num enorme rochedo, deixo
os borrifos das ondas salpicar meu humilde corpo
e asssim limpo a boca, lavo os pés.
Aqui ao lado, um velho, pescando.
Quantos os quw, sem glória, mordem, ávidod de engodo,
desejando quedar-se a " leste das folhas de lótus? "

Uma velha canção popular fala de um peixe nadando alegremente a " leste das folhas de lótus" e aí, na cobiça das coisas do mundo, morde o anzol que o vai pescar.

In Poemas de Wang Wei, Instituto Cultural de Macau



quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018



“Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.” 
Mário Quintana
Foto: Arquivo Municipal de Ponte de Lima

Para os amantes do livro que inovação fantástica :) 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018



A LEITORA 

 A leitora abre o espaço num sopro subtil. 
 Lê na violência e no espanto da brancura. 
 Principia apaixonada, de surpresa em surpresa. 
 Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco. 
 Ela fala com as pedras do livro, com as sílabas da sombra. 

 Ela adere à matéria porosa, à madeira do vento. 
 Desce pelos bosques como uma menina descalça. 
 Aproxima-se das praias onde o corpo se eleva 
 em chama de água. Na imaculada superfície 
 ou na espessura latejante, despe-se das formas, 

 branca no ar. É um torvelinho harmonioso, 
 um pássaro suspenso. A terra ergue-se inteira 
 na sede obscura de palavras verticais. 
 A água move-se até ao seu princípio puro. 
 O poema é um arbusto que não cessa de tremer.

ANTÓNIO RAMOS ROSA, in VOLANTE VERDE ( Moraes Editores,1.ª Ed.,1986)