quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018



“Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.” 
Mário Quintana
Foto: Arquivo Municipal de Ponte de Lima

Para os amantes do livro que inovação fantástica :) 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018



A LEITORA 

 A leitora abre o espaço num sopro subtil. 
 Lê na violência e no espanto da brancura. 
 Principia apaixonada, de surpresa em surpresa. 
 Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco. 
 Ela fala com as pedras do livro, com as sílabas da sombra. 

 Ela adere à matéria porosa, à madeira do vento. 
 Desce pelos bosques como uma menina descalça. 
 Aproxima-se das praias onde o corpo se eleva 
 em chama de água. Na imaculada superfície 
 ou na espessura latejante, despe-se das formas, 

 branca no ar. É um torvelinho harmonioso, 
 um pássaro suspenso. A terra ergue-se inteira 
 na sede obscura de palavras verticais. 
 A água move-se até ao seu princípio puro. 
 O poema é um arbusto que não cessa de tremer.

ANTÓNIO RAMOS ROSA, in VOLANTE VERDE ( Moraes Editores,1.ª Ed.,1986)

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Adeline Virginia Woolf, nascida Adeline Virginia Stephen (KensingtonMiddlesex25 de janeiro de 1882 — LewesSussex28 de março de 1941)
"Foi uma escritoraensaísta e editora britânica, conhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo.
Woolf foi membro do Grupo de Bloomsbury e desempenhou um papel de significância dentro da sociedade literária londrina durante o período entre guerras. Seus trabalhos mais famosos incluem os romances Mrs. Dalloway (1925), To the Lighthouse (1927), Orlando: A Biography (1928), e o livro-ensaio A Room of One's Own (1929), onde encontra-se a famosa citação :


"Uma mulher deve ter dinheiro e um teto todo seu se ela quiser escrever ficção".

Filippo Venturi Photography | Blog

Portrait and Documentary Photographer

Virginia Woolf

Virginia Woolf
Virginia Woolf
“La vita è molto solida o molto instabile? Sono ossessionata da questa contraddizione. Dura da sempre, durerà sempre, affonda giù fino alle radici del mondo, quest’attimo in cui vivo. Ed è anche transitorio, fuggevole, diafano. Passerò come una nuvola sulle onde. Forse può darsi che, pur cambiando, pur fuggendo uno dietro l’altro così rapidi, abbiamo – noi esseri umani – una qualche successione e continuità, e che la luce ci attraversi. Ma cos’è la luce? Sono così turbata dal carattere transitorio della vita umana che spesso mi succede di dare un addio, dopo aver cenato con Roger, ad esempio; o di calcolare quante volte vedrò ancora Nessa.”

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Reflito eu... um leitor encerrará mesmo a Obra? Penso que não, enriquece-se ao lê-la, ao assimilá-la, ao analisá-la segundo a sua visão pessoal e, avoluma Luz, ao discuti-la com outras visões e interpretações. Logo a Obra não acaba mas é sim o começo de um novo vôo tão enriquecedor e promissor para todos aqueles onde ela chega. Como é maravilhoso este processo e percurso de uma obra pessoal que se liberta e passa a ser do mundo. :)



sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

http://plataforma9.com/financiamento/apoio-a-projetos-de-investigacao-em-lingua-e-cultura-portuguesas-da-fundacao-calouste-gulbenkian.htm
https://www.publico.pt/2017/12/14/culturaipsilon/noticia/um-arquivo-digital-do-livro-do-desassossego-para-ler-e-mexer-1795920

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

«Um grande livro, escrito por um grande pensador, é um navio de pensamentos, com o porão carregado de verdade e beleza.»
Pablo Neruda<iframe src="https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2F116621318351011%2Fvideos%2F196244000418099%2F&show_text=0&width=560" width="560" height="413" style="border:none;overflow:hidden" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" allowFullScreen="true"></iframe>

 O que me dói não é

O que me dói não é 

O que há no coração 
Mas essas coisas lindas 
Que nunca existirão... 

São as formas sem forma 
Que passam sem que a dor 
As possa conhecer 
Ou as sonhar o amor. 

São como se a tristeza 
Fosse árvore e, uma a uma, 
Caíssem suas folhas 
Entre o vestígio e a bruma. 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"



ANTERO DE QUENTAL, in SONETOS (Verbo, 2005)

AMOR VIVO


Amar! mas dum amor que tenha vida...
Não sejam sempre só delírios e desejos
Duma douda cabeça ensandecida...

Amor que viva e brilhe! luz fundida
Que penetre o meu ser - e não só beijos
Dados no ar - delírios e desejos -
mas amor... dos amores que têm vida...

Sim, vivo e quente! e já a luz do dia
Não virá dissipá-lo nos meus braços
Como névia da vaga fantasia...

Nem murchará do sol à chama erguida...
Pois que podem os astros dos espaços
Contra uns débeis amores... se têm vida?



ALEXANDRE O'NEILL, in POESIAS COMPLETAS 1951/1986 (INCM, 3ª ed., 1995)

HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM


Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.



"Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, 
A essa hora dos mágicos cansaços, 
Quando a noite de manso se avizinha, 

E me prendesses toda nos teus braços."

Florbela Espanca




Procuro-te
Procuro a ternura súbita, 
os olhos ou o sol por nascer 

do tamanho do mundo, 
o sangue que nenhuma espada viu, 
o ar onde a respiração é doce, 
um pássaro no bosque 
com a forma de um grito de alegria. 

Oh, a carícia da terra, 
a juventude suspensa, 
a fugidia voz da água entre o azul 
do prado e de um corpo estendido. 

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música. 
Chamo por ti, e o teu nome ilumina 
as coisas mais simples: 
o pão e a água, 
a cama e a mesa, 
os pequenos e dóceis animais, 
onde também quero que chegue 
o meu canto e a manhã de maio. 

Um pássaro e um navio são a mesma coisa 
quando te procuro de rosto cravado na luz. 
Eu sei que há diferenças, 
mas não quando se ama, 
não quando apertamos contra o peito 
uma flor ávida de orvalho. 

Ter só dedos e dentes é muito triste: 
dedos para amortalhar crianças, 
dentes para roer a solidão, 
enquanto o verão pinta de azul o céu 
e o mar é devassado pelas estrelas. 

Porém eu procuro-te. 
Antes que a morte se aproxime, procuro-te. 
Nas ruas, nos barcos, na cama, 
com amor, com ódio, ao sol, à chuva, 
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te. 

Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"



Assim o Amor
Assim o amor 
Espantado meu olhar com teus cabelos 

Espantado meu olhar com teus cavalos 
E grandes praias fluidas avenidas 
Tardes que oscilam demoradas 
E um confuso rumor de obscuras vidas 
E o tempo sentado no limiar dos campos 
Com seu fuso sua faca e seus novelos 

Em vão busquei eterna luz precisa 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in “Obra Poética”



... Estas reticências demonstram a infinidade de génios portugueses e o quão difícil se torna seleccioná-los. Como um livro aberto cabe a cada um de nós preencher as páginas, dia após dia, com todos eles ,nas várias temáticas que abordam e não só no género lírico.