quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Fantástica seleção!
http://www.revistabula.com/438-os-10-maiores-poemas-brasileiros-de-todos-os-tempos/

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Interessantíssimo. A ler e refletir.
https://duvida-metodica.blogspot.pt/2009/01/o-que-se-ganha-com-leitura-de-bons.html

sexta-feira, 24 de novembro de 2017



Em dia comemorativo de António Gedeão.
PEDRA FILOSOFAL
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
In Movimento Perpétuo, 1956

Fonte Prima

Um poema dos nossos alunos, lido na cerimónia de distribuição de diplomas do 1º ciclo, a 24 de novembro.


Fonte Prima

E por detrás da casca
Escondida para lá das nervuras
Esquecida no meio da máscara
Borbulha a fonte prima
Senhora da verdade nua
Despida de vaidade e razão
Reflete à luz da lua
Tudo o que vai no coração.

Ela que dá vida e colhe morte
Não deixa ninguém à má sorte
Espelho que o tempo não corroi
Vontade que prende, quais anzois
Na sua água lava o mal
Para que na sua nobre pureza
Ele volte aquilo que se preza
Muito para além do material.

E se para vós não é já milagre
Olhem mais fundo que milhafre
Qu'o trilho que a miraculosa água demarca
É a linha intransponível que tantos passam
Entre o bem e o mal, a luz e a escuridão
Nela se interlaçam os caminhos da grande multidão.

Vidas e vidas que nela vivem
Indecisas quanto à margem
A tormenta deixam correr
Limitando-se a ver.
Mas se de um lado se escolhem pôr
Trazer para o outro causa dor.
Por isso o norte há que manter
Jamais pensando em correr
Não vá o pé cair ao lado
E ficar o caldo entornado.

De muitos nomes foi chamada
Por muitos profetas citada
Tantos loucos que a viram
As dúvidas que dela não beberam
Não é Deus, nem é destino
Ė o que nós que no eu vive
Mas não aquele que é fingido
Ela é a autêntica essência
Que todos temos na inocência.

Poucos, muito poucos a conhecem
Muitos o pensam saber
Nem veem o quanto a enaltecem
Esse tão simples ser.
Melhor ou pior todos sabemos
Que bem no fundo ela existe
Algures... Dentro ou fora de nós
Enquanto a noite persiste.

Aurora Boreal

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Apreciação crítica - teatro Os Maias

O teatro a que assistimos a maior parte dos alunos do 11º ano da ESCA, na Póvoa de Varzim, baseado no romance Os Maias de Eça de Queirós, diferia, claro, do romance, em variados aspetos, sendo de reforçar os poucos espaços. Só havia adereços referentes ao vestíbulo e escritório de Afonso no Ramalhete, à casa dos Gouvarinho, à casa da Rua de São Francisco e ao espaço da corrida de cavalos; e as poucas personagens.
Nos aspetos referidos, notava-se o reduzido orçamento de que se dispunha, mas os atores e encenador(es) arranjaram a maneira perfeita de o contornar.
O enredo relativo ao amor de Carlos e Maria Eduarda foi pouco focado, mas o mais importante e imprescindível foi, sem dúvida, referido.
Outras partes da intriga e da crónica de costumes foram deixadas de fora, mas houve arte mesmo nisto, pois só sofreram aquelas de que era possível prescindir. Embora a algumas personagens, algo abundante n’Os Maias, não houvesse a mais pequena referência, algumas das que não foram representadas foram referidas de um modo tão vivo que pareciam ter estado lá… sentíamos a sua presença e o seu peso, como é o caso de Raquel Cohen. Além disso, a companhia conseguiu, genialmente, condensar toda a carga da crítica social do romance - abordada em enorme extensão, diversos episódios e imensas personagens - nas personagens de Dâmaso (sem dúvida uma personagem e representação a realçar neste teatro), do casal Gouvarinho e em certos momentos e tiradas de Carlos e Ega.
Deste modo, a genialidade e versatilidade dos atores fez esta peça - que podia ter sido banal e medíocre, devido à enorme tarefa e aos parcos recursos que tinham - ser especial, interessante e adequada à grandiosidade da escrita e da obra de Eça.
Em resumo, penso que a peça é fiel às ideias-chave da obra, mas de maneira original, diferente, e com um toque de modernidade (principalmente nos improvisos) adequado ao público-alvo.


Conceição Maria Santiago Nunes Gonçalves

Nº4   11ºF

Recensão crítica

Os Maias no teatro
            Esta peça que apesar de obviamente não ter atores para todas as personagens e ter sempre as limitações do teatro na forma de contar uma história foi bem realizada e, na minha opinião, fez jus ao nome do livro que estava a ser representado.
            As personagens foram, em geral, bem concebidas, como o exemplo de Ega e Dâmaso. No caso de Dâmaso, acho que foi a primeira vez que o simples facto desta personagem estar em cena não me fez querer passar à frente. Por outro lado, Ega, apesar de ser muito bem representado, acho que a personagem é fácil, pois a mesma é bastante cativante na obra.
            Falando do outro lado, Maria Eduarda foi, a meu ver, a pior personagem, para além de ser muito silenciosa, a atriz mostrava muita pouca emoção e expressões nas suas falas… parecia débil…
            A música presente neste teatro era variada e bem aplicada, desde Clair de lune para momentos mais melancólicos ou trágicos, até à sonata patética que é referida no sarau da Trindade.
            Na falta de uma personagem, os dois atores principais olhavam para o público e mostravam-se como se estivessem a falar com alguém, apesar de não ser o mais fidedigno ao livro, esta interactividade teve a sua graça e deu um toque especial à representação.
            Por último, queria salientar a incrível capacidade de improvisação da equipa. Esta habilidade foi mais notável, quando na peça o ator que encarnava Dâmaso deixou cair uma caneta e, conjuntamente com Ega disfarçou com comicidade esse facto.
            Para concluir, quero dizer que gostei da peça e acho que vale todos os cêntimos do bilhete de entrada.


Henrique Lopes, 11º F